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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

A Condição Humana

Transcrevo, quase na íntegra, a crônica que escrevi em novembro do ano passado quando o estado de saúde do governador entrou em fase crítica. Mantive agora os verbos no presente, uma vez que em sua vida o passado e o presente se unem na eternidade de uma das trajetórias mais dignas da vida pública brasileira. Fico à vontade para expressar a minha admiração e, mais do que admiração, o meu carinho pela dignidade e sobranceria com que (Mário Covas) enfrenta a doença que, geralmente, derruba os caracteres mais fortes. Um transe doloroso para qualquer um, que, no caso dele, transcende o episódio pessoal e coloca o indivíduo no patamar mais nobre da condição humana. Apesar de animal político, com tudo de ruim que a classificação abrange, Mário Covas revela-se um homem fora de série na capacidade de absorver um problema que nos coloca acima e além do grande enigma da vida. Não estou a par do dia-a-dia de sua administração, não saberia dizer se é ou não é um bom governador. Mas a personalidade forte com que encara o seu problema de saúde é comovente e serve de paradigma para todos nós, que, mais cedo ou mais tarde, deveremos enfrentar desafio equivalente. Contam que, num recreio do colégio de jesuítas, perguntaram a são Luiz Gonzaga o que faria se soubesse que iria morrer no minuto seguinte. O santo respondeu: "Continuaria fazendo o que estou fazendo". Mário Covas não está num recreio. Governa o Estado mais poderoso do Brasil. Tem responsabilidades enormes e intransferíveis. A nós todos, cabe apenas torcer para que ele vença mais uma vez a doença. Pode estar errado como administrador ou político. Mas, como homem, ergue-se como um monumento de dignidade, um exemplo que eleva a condição humana.