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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Mario Covas

Nestes tempos de profunda e tantas vezes justificada desconfiança em relação aos políticos, Mario Covas destacou-se como uma das mais notáveis exceções. Ao longo de uma carreira que se estendeu por quatro décadas, marcada pelos valores da coerência doutrinária e da lisura administrativa, o governador de São Paulo soube restituir à política o seu caráter de missão pública. É cedo para que se forme um juízo histórico em relação às suas duas passagens por cargos executivos, primeiro como prefeito nomeado da cidade de São Paulo e depois como governador eleito e reeleito do Estado. O que está fora de controvérsia é que se conduziu com senso de equilíbrio, sobriedade e espírito democrático no exercício dessas funções. Se não lega, como governador, uma obra administrativa de impacto, conseguiu sanear as depauperadas finanças do Estado, combalidas por gestões irresponsáveis. Mario Covas teve papel relevante na resistência à marcha do país para o arbítrio, caracterizado pelo Ato Institucional nº 5, de 1968, que lhe cassou o mandato de deputado federal e suspendeu seus direitos políticos. De volta à atividade pública, dez anos depois, deu contribuição decisiva à organização do MDB/PMDB, procurando assegurar ao partido o perfil de centro-esquerda que ele manteve até se descaracterizar. Fez-se então um dos fundadores do PSDB, sempre empenhado na proposta de erigir uma agremiação que não fosse social-democrata apenas no nome. Atuou como ponto de apoio para muitos que viam no governo Fernando Henrique Cardoso uma atitude concessiva demais em relação às pressões do mercado e certo pendor para o fundamentalismo monetarista. Referência ética reconhecida por adversários à direita e à esquerda, Covas sai de cena num momento em que a moralidade pública ocupa o centro das atenções e em que são cobrados os compromissos de seu partido com o enfrentamento da chamada dívida social. Que seu exemplo, mais do que reverenciado, possa frutificar entre os políticos com verdadeira vocação pública.