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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Covas, um Exemplo a Seguir

BRASÍLIA - ACM, crise política, reforma ministerial, tudo isso perdeu subitamente a importância diante da doença e sobretudo da estatura política de Mário Covas. Bastou a notícia de que seu estado é grave e o mundo político fez uma pausa. FHC parou tudo e viajou para São Paulo. ACM decidiu adiar a festa de chegada na Bahia. Políticos de diferentes partidos trocaram as frases feitas e as maldades contra adversários por elogios a Covas, lembranças e uma certa nostalgia. Especialmente os do PSDB. FHC é presidente, José Serra e Tasso Jereissati são perspectivas de poder. Nenhum deles, porém, tem a força que Covas sempre teve, desde o primeiro minuto do PSDB. O partido, aliás, só foi criado em 1988 porque havia um nome com respeito e credibilidade para ser candidato à Presidência no ano seguinte. Era Covas. Não ganhou, nem chegou perto. Mas se transformou na principal referência tucana e dos tucanos. No PT, no PFL, no PMDB, no PPS, no PSB, os melhores quadros sempre admitiram a admiração por Covas. No Congresso, inclusive na Constituinte, Covas abria a boca e fazia-se silêncio, mesmo quando estava pegando fogo. Havia quase uma reverência política e moral. Até domingo, o Brasil curtia o Carnaval e assistia de nariz tampado ao teatro de traições, acusações, verdades e mentiras que nivelam todos os políticos ao rés do esgoto. A partir do vôo de helicóptero que levou Covas de volta ao Incor, passou-se a discutir também a exceção. Nem todos são iguais. Nem tudo está perdido. Ontem, colocaram um adesivo no Incor: "Covas, um exemplo a seguir". É muito mais do que mera pieguice, jogada politiqueira ou concessão a quem luta contra a doença e a morte. Fazer política com dignidade é raro e difícil, mas não impossível. Mário Covas é um ótimo exemplo.