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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Força, Governador

Raríssimos homens públicos brasileiros têm demonstrado tamanha coragem para governar e para viver. É óbvio que falo de Mário Covas. Nos últimos seis anos, ele vem governando São Paulo com teimosia e competên-cia. Não é perfeito nem na teimo-sia nem na competência, mas ti-rou o Estado do descalabro finan-ceiro e recuperou sua capacidade de investir. Não bastasse isso, nos últimos meses, Covas resolveu também dar lições de vida. Com o mesmo estilo turrão com que encarou os problemas financeiros de São Paulo, ele enfrenta a moléstia que o aflige desde 1998. Nos dois com-bates demonstra a mesma persistência. Quando entra em contato com o povo, Covas é tocado e beijado por mulheres e admirados pelos homens. Ele não comove o pais apenas porque tem uma doença grave e a enfrenta com galhardias. Os afagos também simbolizam a admiração pelo que tem feito na vida pública. O jovem deputado Mário Covas já era líder da oposição quando foi cassado pelo regime militar depois do movimento de 1964. Perdeu o mandato, mas jamais deixou a política Quando a tem-pestade autoritária passou, vol-tou a se eleger deputado, senador, governador. Em 1994, um ano antes de Co-vas assumir pela primeira vez o governo paulista, o déficit orça-mentário do Estado era de 24,79%, ou seja, São Paulo gastava 24,7% a mais do que arrecadava. Em 1995, o déficit foi reduzido para 3% e, em 1996, zerado. Durante o primeiro mandato, Covas não tinha um décimo do prestígio de hoje. Para ajustar as finanças, ele demitiu pessoal, cor-tou obras e reduziu investimentos em  geral. Com isso, perdeu popu-laridade. Foi vaiado e xingado por funcionários, principalmente por professores. Nunca virou as costas para os que o insultaram. Ao entrar na disputa pela reeleição, estava praticamente desen-ganado pelos analistas políticos Mas ele foi para o segundo turno e reelegeu-se. Na semana passada Covas deu possa ao novo secretário da Fa-zenda, Fernando Dall'Acqua, que substituiu Yoshiaki Nakano no cargo. Curiosamente, não coube nem a Nakano nem a Dall'Acqua fazer o discurso técnico, sobre os seis anos de gestão da Fazenda O próprio Covas, durante 30 minu-tos, deu o recado. Depois de citar muitos números numa frase, ele sintetizou a simplicidade de go-vernar: "São Paulo estava em es-tado de falência parque gastou mais do que tinha". Covas governa dessa forma: gastando só o que tem. Com isso, e com uma eficiente renegociação da dívida, o Estado já adquiriu capacidade para voltara investir. Este ano, os investimentos devem alcançar R$ 4,7bilhões. É claro que São Paulo tem ain-da mil e uma deficiências. As es-colas públicas não têm o número e muito menos a qualidade desejada, a segurança dos cidadãos é precária e o transporte público da capital não atende às necessida-des da metrópole. Com o equilíbrio das finanças, porém, já tem sido possível pensar em atacar os principais proble-mas, como o da falta de equipa-mentos para a polícia e a baixa remuneração dos professores. No discurso da semana passada Covas anunciou, por exemplo, que está autorizando o pagamento de um abono que varia de R$ 700 a R$ 3.000 aos professores da rede estadual de ensino. O abono cus-tará R$ 230 milhões, dinheiro muito bem empregado, mas que só pode ser porque o Estado tem caixa. O comportamento de Covas, co-mo governante e como pessoa, vem mais uma vez desmentir a velha frase 'o povo não sabe vo-tar'. No caso de São Paulo, o povo votou certo duas vem seguidas. São Paulo tem governo. Força governador.