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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

O Lutador

Não é à toa que todo o mundo político voltou suas atenções para o delicado estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, Mário Covas. O governador foi responsável por um dos momentos mais importantes da história do país nos últimos anos: com a sua moralidade, integridade, correção e franqueza - fatores marcantes de sua vida pública -, impediu que o PSDB se aliasse ao governo Fernando Collor de Melo, em 2 de abril de 1992. Naquela época, lutou como um leão contra nomes de peso do partido, inclusive Tasso Jereissati (CE) e Fernando Henrique Cardoso. Senador por São Paulo e com dificuldades de se reeleger, Fernando Henrique fora convidado para ser o ministro das Relações Exteriores. Naquela noite de abril, Covas seguiu o seu apurado instinto político. Desconfiava da lisura do governo Collor e queria preservar o ninho tucano para as eleições de 1994. Dito e feito. Collor deixou o governo no meio do mandato, Itamar Franco assumiu e, dois anos depois, o tucano Fernando Henrique estava eleito presidente. Mário Covas continuou lutando pelo bem de seu partido. Em meio à mais dura batalha de sua vida, contra o câncer, ele ainda se movimentou para preservar o governo Fernando Henrique. Não foi por outro motivo que anunciou sua preferência por Tasso Jereissati, como candidato do partido à Presidência da República em 2002. A amigos, antes de passar a se dedicar exclusivamente à luta pela saúde, Covas já havia dito que a única maneira de Fernando Henrique conseguir empreender o projeto social democrata com sucesso nos próximos dois anos e fazer o sucessor seria adiando ao máximo a temporada eleitoral de 2002. De novo, foi dito e feito: com pelo menos dois nomes à mesa - Tasso e o ministro da Saúde, José Serra -, os tucanos começam a pensar na preservação do partido. Deixaram um pouco de lado a discussão sobre quem será o escolhido e passaram a preparar terreno, incrementar os programas de impacto social e econômico do governo, e, por tabela, fazer o sucessor. Covas mais uma vez estava certo e conseguiu, com sua franqueza, ajudar o PSDB a enxergar um caminho. Às 16h30, enquanto este artigo era redigido, Covas lutava pela sua vida. Aqui, ficam as orações para que ele, com a sua firmeza de caráter e força, sirva de exemplo para toda a classe política.