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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Por Merecimento

Não é apenas assunto pessoal a ação de presença do governador Mário Covas na vida pública brasileira. É muito mais do que um episódio. O agravamento das condições físicas e dos reflexos mentais não diz respeito exclusivamente à família. Os médicos que assistem não podem dispor da vontade de um governante que tem a liberdade de escolher a imagem que pretende deixar. Todos têm responsabilidade junto ao governador cujo estado se agrava a cada dia, mas a palavra final deve caber aos médicos que o assistem. Não se trata de proibição mas de persuasão. A palavra da ciência é o elo entre o paciente e os médicos: há espaço para a divergência e o esclarecimento responsável, mas a insistência em agir como se estivesse em plenas condições de saúde não exprime normalidade da mente e do corpo de Mário Covas. Há uma carga de sacrifício que perde o sentido com a preocupação de deixar exemplos. A função pública não perde a imolação sem retorno. Na insistência de permanecer em cena, Mário Covas afirma que não deixará a outros a alegria de inaugurar as obras que, a dois anos do fim do seu governo, consagram o esforço para a recuperação de São Paulo: "não vou deixar que outros inaugurem por mim". O governador não corre o risco da injustiça histórica. Pode estar tranqüilo que a sua ausência não destruirá a moldura de grandeza do seu programa de governo. Depois de sanear financeiramente São Paulo, não mais depende dele o reconhecimento público, independente da inauguração a que se agarra com sacrifício e desconforto da doença. O tom de desabafo diário, somado ao viés de sarcasmo com que se refere ao seu próprio estado e nas relações com os meios de divulgação, e testemunhado diariamente pela opinião pública, comprovam a alteração emocional demonstrada pelo paciente. A família reverencia o brio, a sociedade o respeita, a ciência silencia a sentença mas tudo concorre para adensar a dramaticidade vivida por Mário Covas. Quanto tempo ele e todos os cidadãos que acompanham e evolução da gravidade e a redução da esperança podem suportar a crescente tensão? Alguém terá que assumir, com autoridade e altruísmo, a missão de convencer.