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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

A Longa Sombra do Arbítrio

SÃO PAULO - No tenso ambiente que se formou no Incor de São Paulo desde que o governador licenciado Mário Covas foi internado, há conversas que sonham reescrever a história. Digamos que não tivesse havido o Ato Institucional número 5 (1968), que cristalizou e aprofundou o arbítrio já instalado em 1964. Nessa hipótese, Covas não teria sido cassado e, por extensão, não teria tido a sua vida político-eleitoral posta em hibernação durante dez anos. É mais que razoável supor que Covas teria grandes chances, nesse cenário, de chegar à Presidência da República. Afinal, já em 1968, com apenas 37 anos, era líder do MDB, o único partido da oposição consentida. Daí a ser, digamos, governador de São Paulo com 45 anos ou pouco mais seria um passo perfeitamente lógico, se o colégio eleitoral indireto (extinto apenas para as eleições de 1982) tivesse acabado antes. Covas acabou perdendo não os 10 anos que durou sua cassação, mas 14 anos. Por um azar: cassado em dezembro de 68, recuperou os direitos políticos em dezembro de 78, e as eleições daquele ano foram um mês antes. Por isso, precisou esperar até 1982 para disputar (e ganhar) uma vaga na Câmara Federal. É óbvio que, se não tivesse sido cassado, Covas poderia ter naufragado política e eleitoralmente assim mesmo. Seu desempenho eleitoral oscila entre recordes (para o Senado e para o governo paulista) e fracassos (para a Presidência e, em outro momento, para o governo de São Paulo). Mas o mais lógico é supor que tivesse chegado muito mais cedo ao posto do qual está agora licenciado e, portanto, à condição de "presidenciável" de que desfruta todo governador paulista. Claro que é apenas um exercício que jamais poderá ser submetido ao teste dos fatos. Mas é um exercício que demonstra como a sombra do arbítrio se estende no tempo, mesmo depois de enterrado.