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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Tudo ou Nada

BRASÍLIA - Todos nós vivemos situações-limite na vida. É quando o que parecia fundamental deixa de ser, e muita coisa que parecia supérflua passa a ser fundamental. Mário Covas vive hoje uma situação-limite. E à sua maneira. Quem tem visto, conversado, convivido com ele se diz impressionado com sua garra pela vida. Os médicos é que se sentem impotentes. Estão arrasados. A confirmação, ontem, de que a doença se alastra e já atinge a meninge praticamente decreta o fim de uma etapa, pública, política, e o início de outra, individual, particular. Uma pessoa assim geralmente diz e faz o que lhe vai na telha, libera impulsos reprimidos, abandona o pragmatismo, age pela emoção. O cálculo político passa a valer pouco. A intuição e a vontade prevalecem. Para, por exemplo, indicar candidatos e projetar cenários políticos. Esse é um prazer que mesmo as piores notícias não conseguiram lhe surrupiar, e qualquer coisa que ele sinalize é naturalmente poderosa. Covas tem um senhor currículo, o governo estadual mais importante do país e é o homem decisivo de um dos principais partidos. Tem um legado invejável na vida e na política. Na política, mexer na peça Covas é mexer com todas as peças como num dominó: José Serra, Tasso Jereissati, Paulo Renato, José Aníbal e, muito particularmente, Geraldo Alckmin. Se assumir agora, Alckmin pode inviabilizar a candidatura ao governo em 2002 e reabrir uma discussão que parecia fechada. Reabrir tudo, aliás. A questão política, porém, não é o mais importante nem o que todo mundo está pensando neste momento, com os exames confirmando maus presságios, os médicos sem saber exatamente o que fazer e Covas precisando muito cuidar mais dele, menos da sua agenda. De resto, equações políticas podem esperar. O que dá vontade é esquecer tudo isso um pouco e falar de gente para gente. Perder a formalidade um instante e dar um abraço de respeito ao homem público, mas também de carinho com o ser humano.