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  • Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade, essa condição indispensável para situar o ser à imagem e semelhança de seu criador.
  • Fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitos pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter.
  • Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer.

Discurso proferido em Santos, durante homenagem ao seu retorno

Trechos do discurso proferido em Santos, no dia 16 de janeiro de 1979, durante homenagem realizada no auditório do Cine Independência, no Gonzaga. A data marcou o retorno de Covas à política após os 10 anos de cassação impostos pelo AI-5:

“Eu devia começar agradecendo, mas se eu agradecesse, não teria entendido o significado dessa festa. Caminhar é preciso, viver não é preciso. Mesmo as grandes corridas são formadas por uma sucessão de passos. Não vamos mais pedir democracia. Vamos fazer democracia. Hoje, existem muitos falando por poucos. Reafirmo hoje, meu compromisso com as instituições. Com o Poder Legislativo, a real expressão do sentimento democrático brasileiro. Com o Poder Legislativo, que eu aprendi a amar. Nós não queremos passar do autoritarismo para uma democracia de elites.”

“(...) Reafirmo meu compromisso com o Poder Judiciário. Enquanto a lei é a justiça dos homens, a justiça é a lei de Deus. Quero ver a lei, como instrumento de defesa do fraco contra o forte. Reafirmo meu compromisso com o Poder Judiciário porque devo proclamar e repetir que a maior, a suprema subversão, não é pedir justiça para os humildes, mas é calar ante qualquer injustiça.”

“(...) Reafirmo o meu compromisso com o movimento sindical, que não deseja hoje, apenas um aumento de salário, que reconhece a classe trabalhadora, que não aceita mais ser mero objeto, e quer ser agente da história. Temos que admitir a crítica da classe sindical não apenas porque somos um agrupamento que, ao contrário dos ditatoriais, respeita a crítica alheia, mas, sobretudo, porque ela é a expressão da aspiração do agrupamento social que representa.”

“(...) Reafirmo meu compromisso com a universidade. A universidade que ensine. Sobretudo aos jovens, que eles têm a tarefa de construir uma sociedade. Isso não lhes pode ser negado, tem que lhes ser exigido, tem que se devolver à universidade o seu papel fundamental, aquele que cada sociedade tem quando organiza com fé, com pólo, como fulcro, como ponto de origem de discussão e de debate ideal, da sociedade que se pretende construir.”

“(...) É preciso, em nome do compromisso com o próprio vernáculo, que se afirme alto e bom som, que se a ausência da autoridade se chama anarquia, a autoridade em excesso, se chama ditadura. A democracia é exatamente a autoridade delegada, consentida, aceita, transferia e, portanto, há de sê-lo sempre, por nenhum segmento em particular, mas pela sociedade como um todo, com a participação de cada um dos seus componentes, independentemente da humildade, que na aparência representem.”